terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O rídículo teatro de alguns brasileiros



                                                                                             Sergio de A.






Alguns anos depois de ter participado do filme "A casa dos Espíritos" (1993), a atriz americana Glenn Close reconheceu que não era a pessoa adequada para o papel de uma latino-americana católica. Que nada sabia daquele mundo. Ela estava correta. O que sabe uma anglo-saxã sobre o universo sul-americano? Close teve a decência de admitir sua inadequação em público.

O que dizer de brasileiros que acreditam que podem encenar Tchekhov? O que sabemos nós, brasileiros, do mundo ortodoxo russo do final do século 19? Eduardo Coutinho tentou, em 2010, montar a peça "As três Irmãs", do escritor russo. O canal "Curta!" levou ao ar (24/1) os ensaios da peça. Que desgraça! Gente morena, texto errado e total desconhecimento da cultura eslava ortodoxa. Improviso emocional e descabido.

No Brasil "russo' é pessoa loura. Mesmo que a a maioria dos russos tenha cabelos e olhos negros. E sejam mestiços nascidos das hordas tártaras com os descendentes dos invasores germânicos. O que sabemos da aristocracia do Czar de todas as Rússias? Quantas eram as "Rússias" do Czar ? Quantas dinastias governaram aquelas terras, e quem eram aquelas pessoas? De onde vieram? O que é um "boiardo"? Podemos encenar Tchekhov sem cair no ridículo?

Anton Tchekhov (1860-1904) foi um dos maiores contistas da História. Devemos respeito a ele. Não podemos encenar nada dele aqui. Não sabemos História nem conhecemos teatro. Viajar com a "troupe" a Moscou não substitui a leitura necessária. Informação casual não é formação.

A presunção de alguns dos nossos encenadores não conhece limites ou senso de ridículo.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Eu e meus filhos





                                                                                                                       Luís de Eça

Os filhos que eu não tive são minha maior fonte de orgulho. São bondosos. fortes, independentes e bem sucedidos. O que mais um pai podeira desejar? Nunca precisei sacrificar meu tempo (e meu imenso egoismo), por conta de problemas ou necessidades deles. Os filhos que eu não tive vivem em um mundo imaginário. Como sombras que marcam o chão sem nunca se materializarem. Os filhos que eu não tive não competem comigo, não brigam entre si e vivem muito bem entre eles. Não sei se são religiosos, ateus ou o quê. E não me importo: o melhor na minha relação com eles é que eu nunca preciso me preocupar.

A experiência da vida apenas garante o inesperado. É tolice invocar  valores burgueses como escudos: trabalho, realização pessoal ou vida familiar não podem nos proteger dos golpes da existência cotidiana. Os filhos que eu nunca tive não vão estar por perto, se eu avançar na idade e a solidão chegar. Nem estarão por aqui quando chegar a minha hora de cruzar o rio que nos aparta da corrente da vida.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Chico Xavier defendeu a submissão do povo aos militares com as bençãos dos "espíritos superiores"


Editorial

Eu tive uma amiga católico-espírita, devota de Chico Xavier, que desconhecia a realidade que o espiritismo não faz parte do cristianismo. O discurso do médium, solicitado pelo apresentador do Programa Ping Pong Fogo como uma espécie de bênção dele para a ditadura brasileira, às 4h:28m do filme abaixo, pede que "tenhamos a custódia das forças armadas até que possamos encontrar uma caminho que elas continuem a nos ajudar como sempre parta que nós não venhamos a nos descambar para qualquer desfiladeiro de desordem. Isso aconteceu em 21 de dezembro de 1971

Ele acreditava que estávamos em grande conflito espiritual graças às comunicações de massas. Essas idéias (novas tecnologias) não deviam fazer parte de nossa vidas. Elas acabariam criando um povo fantoche. O Brasil deveria agradecer os militares pela ordem e o "império da Lei" (Ditadura). Nunca assisti nada tão cruel: a defesa da morte e da tortura da ditadura em nome de Cristo. Enorme blasfêmia para todos os crentes.

Humberto Eco disse uma vez que os espíritas eram gente que só acreditava no que já conhecia. Conheciam a morte e a negavam, com a reencarnação. Ninguém mais morre.

Outro dia, no programa de Sergio Besserman no Canal Curta "(No Caminho do Bem), eu vi um rapaz muito jovem comparar Jesus a Chico Xavier. "Dois espíritos iluminados", disse o rapaz. Que tinha sobrenome norte-americano, inglês, ou coisa que valha. Quem estuda o Cristo histórico sob um prisma leigo e secular,como muitos arqueólogos e historiadores sabe que ele acabou por criar um tipo de poder neste mundo que não pode ser comparado com o médium de Minas e seu seguidores. Fazê-lo é o reconhecimento cabal e vergonhoso de nosso provincianismo e atraso.

Xavier, que com nobres espíritos comunicava-se, defendeu nossa submissão aos torturadores e assassinos da ditadura. Que a História lhe faça justiça eterna.






sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

John Forgety, 71 anos, seu filho Shane e a herança do Creedence



                 Pai, filho e rock and roll
                                                 Sergio da Motta e Albuquerque


Fontes: thetelegram.com, www.societyofrock.com, http://societyofrock.com/john-fogertys-son-absolutely-tears-it-up-onstage-with-dear-old-dad-a-new-legend-in-the-making/


John Forgety, aos 71 anos de idade, vive os melhores dias de sua vida. Depois de décadas em litígios judiciais com os outros ex-membros da banda, afastado dos palcos, aos 55 anos poucos acreditavam em seu retorno. Erraram.

Forgety voltou mudado. Está mais livre com os solos e parece se divertir como não fazia quando era jovem. A tour deste ano está apresentando este "tease" de "Old man down the road" ("Coroa na estrada") 2014 com pai e filho (Shane Forgety), em um sensacional duelo de guitarras. É emocionante ver o pai dar tanta força ao filho. Há um momento em que ele cede a vez ao rapaz, que "manda ver" sem cerimônia. O garoto é ótimo e é algo muito especial para ver pai e filho assim , os dois na estrada a trocar frases de guitarra. Alguns homens tem tudo na vida. John parece ser um deles. Mas o guitarrista e compositor sofreu demais, e por muito tempo. Ele faz questão de dizer que seria um desabrigado, hoje, sem a mulher que o salvou do desespero. Melhor ver o show das guitarras que ler minhas palavras:



sábado, 5 de novembro de 2016

Bob Dylan é o pesadelo da imprensa


                                                                 por Sergio da Motta e Albuquerque   
Depois de dois anos sem falar com a imprensa e duas semanas com a turma do Prêmio Nobel, Bob Dylan resolveu conversar com a jornalista cultural Edna Gundersen, do Telegraph de Londres (29/10). O mítico cantor e compositor não atendeu os telefonemas da organização sueca responsável pelo prêmio e parecia distante e pouco impressionado com sua premiação. Continuou com sua vida, sua música e seus shows. E sem querer contato com os meios de comunicação. Dylan continua, aos 75anos, um dos maiores pesadelos da imprensa.
Quem ousar entrevistá-lo dever vir muito bem preparado e não fazer nenhuma pergunta óbvia. Ou vai ser...Clique aqui e leia a matéria no GGN.

(foto:By Alberto Cabello from Vitoria Gasteiz - Bob Dylan, CC BY 2.0,https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=11811170

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

A mulher que chorava na rua

                                                                                                      Sergio da Motta e Albuquerque


Eu não lembro o que fazia na rua naquele resto de manhã, quase meio-dia, quando notamos - eu e muitos passantes - uma mulher que vinha em nossa direção. Ela chorava e seu rosto era uma máscara de sofrimento. Ela mantinha a cabeça erguida.

 -”Moça, posso ajudá-la?”, perguntou uma amável senhora, com real preocupação. Criou-se um desses momentos únicos da vida urbana quando, por alguma misteriosa razão, somos empurrados a um tipo especial de solidariedade, de simpatia pela dor de nossos semelhantes. Ficamos ali atordoados com uma cena perturbadora, e sua única voz de ajuda: “Posso ajudá-la?” A mulher não respondeu.

Prosseguimos em nossos caminhos, a fingir que nada havia acontecido. Mas eu estava perturbado. Queria saber mais Por que o pranto daquela mulher? Ela não tinha ainda 50 anos de idade. Seria mãe? Ou filha? Não sei explicar a razão, mais problemas de família (ou afetos de qualquer natureza) vieram à minha cabeça. A cena não me sai do pensamento. Por que chorava a mulher na rua?

Ela foi embora, levou seu pranto, e deixou a todos nós a lembrança de uma criatura desconsolada, esgotada da existência e desesperada porque um dia cometeu o grande erro de acreditar na gratidão, e na esperança das expectativas recíprocas. Nesta vida e neste mundo. Ela nos fez lembrar de nós mesmos, e em nossa fragilidade diante de uma existência insondável. E de como é difícil romper a barreira da impossibilidade de comunicarmos aquilo que nos é mais doloroso, e assim recebermos o consolo que precisamos.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Em 2015, Chico Buarque, Cacá Diegues e Eric Nepomuceno foram confrontados por "bullies" da direita bêbedos no Leblon

Mais uma não-notícia: algo que já passou há quase um ano, e eu não havia visto na imprensa. Hoje (3/10)Eu estava a ler uma matéria do Eric Nepomuceno em um jornal argentino, quando vi esse grupo de rapazes bêbedos atacando os mais velhos (Chico, o Eric Nepomuceno, Cacá Diegues -que não disse nada). Aconteceu ano passado no Leblon: Chico levou um 'arrocho" de playboys da direita, que repetiam frases de jornalistas da Globo, da Globonews, da Folha e da nossa maldita mídia hegemônica. Ainda não tive o tempo, mas vou apagar todos links e logos desta maldita imprensa do meu blog, e postar a imprensa alternativa. Não estou falando do Canal Curta, não. Falo do The Intercept, do Democracy Now, do Mother Jones e outros. Não vou esquecer os anarquistas.

É por isto que eu ando com vergonha de ser brasileiro (23/12/2015 - matéria do Eric Nepomuceno na Carta Maior):

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Observatório da Imprensa não resistiu à crise do impeachment



                                                                                          Sergio da Motta e Albuquerque


Em junho de 2015, a maior parte dos editorialistas do Observatório da Imprensa abandonou o veículo fundado por Alberto Dines em 1996. Alguns escreveram sobre os motivos de seu afastamento. Outros nada disseram. Ou escreveram. A verdade é que o Observatório foi mais uma vítima da crise política trazida pela ampliação da Operação Lava-Jato e da colaboração da imprensa brasileira no cerco da mídia a todos os governos do PT. Nossa imprensa transformou o partido e a esquerda em uma piada. Pior, um mal a ser extirpado sem piedade da política nacional.

O antigo editor recomendou minha continuação. Eu tentei, mas não houve condições de continuar a colaborar com eles. O Observatório acabou cercado por todos os lados. A “redação” acabou reduzida a umas poucas pessoas, e aos poucos o público começou a perder o respeito pelo único veículo de crítica de imprensa em nosso país. Não posse explicar as razões formais do fim do Observatório (doravante denominado “OI”). Ninguém foi informado em profundidade sobre como, quando e por que o OI perdeu seu patrocínio e suas condições de continuar a publicar suas críticas certeiras. Não havia condições para isso. Chegara a hora do jornalismo cívico e o OI não estava à altura. Não por incompetência ou má vontade, ou coisa pior.

O jornalismo cívico escolhe partidos, candidatos e não pretende agradar a todos ou ser “imparcial” em política ou qualquer outro tema. O que é a imparcialidade a não ser pretensão? Como o OI, com seus patrocinadores ligados aos governos do PT, poderia reagir aos ataques a uma administração eleita pelo povo? Como fazer quando se quer evitar o rótulo de “chapa branca” mas suas fontes de financiamento são parte do governo ou instituições públicas? O OI sempre publicou pontos de vista de todo o nosso espectro político. Abrigou por muitos anos um escritor (muito bom por sinal), que sempre fez oposição ao PT. E seguiu a publicar contribuições de gente que fazia oposição ao regime eleito nas urnas. Mas sua marca era a de um veículo da esquerda aos molhos dos leitores.

Seu mais popular crítico sempre foi um feroz defensor do governo eleito em 2010. Ele a sós garantia uma boa quantidade de leitores para a “home” do OI. O comentarista declarou, com muita lucidez, que não havia mais nada a ser dito sobre a imprensa brasileira. Ele não queria mais continuar com discursos circulares, que começam e acabam em jornalismo, sem nunca mudar nada no nosso cenário de imprensa. Como discordar deste argumento?

Em 2009 eu deixei um veículo informativo da web, depois de ter lido uma mensagem enviada pelo editor do blog “Imprensa Marrom” à uma jornalista do informativo. Ele avisou que o informativo virtual era uma plataforma para a eleição de José Serra. Descobri que era verdade quando tentei publicar uma matéria que elogiava uma grande empresa pública brasileira. Que foi rejeitada. Uma editora da Globo foi contratada para reorganizar a página da web. Minha colega foi mandada embora. Pouco tempo depois, a editora global também foi despedida.

Pouco tempo depois eu enviei um artigo sobre o jornalista Osvaldo Peralva, ao Observatório da Imprensa. Foi publicado e elogiado. Escrevi para o OI até o início deste ano. No dia 30 de março de 2016 eu publiquei meu último artigo no OI. Era um simples comentário sobre os perigos estratégicos da Lava-Jato. Um capitão da PM me ofendeu em público, e nada foi dito ou feito em minha defesa. Eu mesmo recrutei amigos militantes para responder ao agressor. Eu havia denunciado o perigo de perdermos um projeto tecnológico de grande importância, graças a paralisação da economia por razões políticas. Poucos meses depois os israelenses (25/8), compraram não só o projeto, mas a firma que o havia concebido.

A imprensa brasileira quer convencer e lança mãos de todos os argumentos: verdadeiros, inventados ou não apurados. O grande erro do PT de Lula foi acreditar que poderia governar sem a grande imprensa, escoltado por uma tropa de blogueiros da esquerda. Gente muito boa e decente, mas incapaz de fazer frente a nossa grande e mal-intencionada imprensa e seu poder de agendar as leituras um povo não muito bem educado.

Agendamento, caro(a) leitor(a), é o oposto de enquadramento. Quando um repórter “enquadra” um determinado tema, ele escolhe a abordagem para a pauta, e mantém um certo distanciamento. As conclusões devem ser deixadas para o leitor. Quando a abordagem conduz o público ao erro, ou a adotar o ponto de vista da publicação sem questionamento, o enquadramento passa a chamar-se agendamento: o leitor acaba certo que o jornal está além de qualquer dúvida e todos devem concordar com ele.

A cobertura da Operação Lava-Jato foi uma das maiores operações de agendamento da História do jornalismo brasileiro recente. Arrasou a tudo e a todos sem qualquer discriminação que não fosse o apoio ou oposição radical ao PT; faliu empresas sem relação com nosso problema político, além de criminalizar a política aos olhos do público. Nada disso poderia ser publicado no OI.

A nova administração tentou reequilibrar o ambiente, mas já não havia condições para tal. Em março deste ano, quando Lula foi conduzido à força para depor (4/3), enviei um artigo explicando a conexão de um dos principais procuradores da operação com a Operação Banestado. Em 2003, o jornalista investigativo Amaury Ribeiro Jr, com seu colega Osmar Freitas Jr, na revista “Isto É” (30/9) o acusou de obstruir a Operação no governo FHC. Expliquei tudo no artigo. Não foi publicado.

Na época, eu também trabalhava com vários mapas sobre a corrupção durante o governo FHC. Era um projeto grande, com conteúdo de difícil contestação: os dados vinham de uma organização internacional que é inimiga de Lula e do PT. Foi-me prometido a manchete principal para ela. Por isso abri mão da publicação do texto contra a condução coerciva de Lula para depoimento à polícia federal. Errei. Errei feio.

Terminei o trabalho, que ficou muito grande, com seis gráficos que expunham a corrupção desde 1995 no Brasil. O artigo, se fosse publicado, provaria que Lula não era o “general” de nossa endêmica rapinagem pública. Mas a situação havia mudado e o artigo perdeu seu impacto. Mais um texto meu não publicado pelo OI. Em seis anos isso nunca havia acontecido. Várias matérias minhas, com o antigo editor, acabaram como manchetes principais na página do OI. Ou na seleção do editor para a edição da semana.

O aprofundamento da crise e dos problemas do OI levaram o mesmo a abrir mão de seu diferencial principal: a crítica da imprensa. Passou-se a publicação de pautas estranhas ao OI: medicina, saúde pública, meio ambiente e outras pautas alheias ao compromisso do OI com a crítica dos meios de
comunicação. O público começou a abandonar o OI. Pior, depois do fim da moderação dos comentários na “home”, os mesmos foram abertos ao púbico do Facebook sem qualquer tipo de mediação. Os insultos começaram e a direita avançou contra o OI.

Com a concretização do impeachment de Dilma Rousseff tudo ficou ainda pior. Em setembro o OI não estava mais a receber colaborações. O modelo do OI , em grande parte baseado no trabalho de colaboradores que escreviam como voluntários "pro-bono" estava esgotado. Não se pode enfrentar a grande imprensa com amadores não pagos e sem apoio da redação, reduzida à impotência e sem meios materiais para continuar seu trabalho. A voz do Observatório da Imprensa não foi ouvida durante a crise. Toda a sociedade brasileira sai perdendo. Alguns professores universitários tentaram preencher a lacuna, mas foi muito pouco, e muito tarde.

O OI precisa da colaboração ao público para continuar a publicar. Clique na figura abaixo para cooperar com a volta do OI:
fonte: Observatório da Imprensa

Nélson de Sá, pela Folha de São Paulo (29/8), explicou em detalhes a dura situação do OI. Não quero assistir o final desta experiência singular e inovadora. A perda vai ser muito grande para toda a sociedade. Mesmo que o OI consiga reequilibrar suas contas, nada garante que continuará com seu bom trabalho de crítica em médio ou mesmo curto prazo. Voluntarismo não é mais uma opção para novos colaboradores. O modelo está esgotado.

Lamento a situação do Observatório da Imprensa. Ele foi meu professor por sei anos. Pôs meu nome da primeira página, mesmo não tendo sido o único veículo de imprensa a fazê-lo. A página principal do Observatório sempre foi um lugar de honra e excelência. Até 2015. O recrudescimento da crise política no ano seguinte, somada ao abandono dos patrocinadores impuseram a paralisação ao Observatório da Imprensa. A sociedade brasileira aguarda ansiosa a sua volta.




sábado, 17 de setembro de 2016

Santos, heróis e seus pecados ocultos



Dom Hélder Câmara e Frei Paulo Evaristo Arns, dois inimigos da escola pública na história da educação

Fonte: wikimedia commons


                                                                          



             Sergio da Motta e Albuquerque


Foi um choque descobrir que Dom Hélder Câmara (1909-1999), ex-arcebispo de Olinda e Recife durante toda a ditadura militar (1964-1985), simpatizante do nazismo, de Hitler e do integralismo de Plínio Salgado, além de inimigo público da escola pública em até os anos de 1970, teve a sua canonização aprovada por Roma. Em 2015. Não é mais notícia, mas comentário pessoal.

Mais velho, Hélder arrependeu-se, ou mudou de pensamento. Gostava muito de viajar a Paris e fazer longos discursos em um francês perfeito de filho de gente abastada. Era muito aplaudido. Falava contra a miséria, declarava-se inimigo das desigualdades, era o campeão dos pobres por lá. Por quatro vezes foi indicado ao Prêmio Nobel. Não ganhou porque os premiadores conheciam seu passado. Dizem que a ditadura o “entregou” aos noruegueses.  Não acredito. Ele foi um homem conservador de uma igreja conservadora. Que depois virou herói dos diretos humanos. E muita gente esqueceu o passado. E a História da educação no Brasil

Também nos anos de 1950, o então Frei Paulo Evaristo Arns, que, anos depois, como Bispo, celebrou o ato ecumênico após o assassinato de Valdimir Herzog em 31 de outubro de 1975, da mesma forma foi defensor do ensino privado e inimigo da educação dos pobres. A História não perdoa. Registra. Quem quiser pode ler aqui nesta ligação (link). Vai levar o leitor à uma página da UNICAMP, a Universidade de Campinas. O povo e a Igreja esquecem. Ou melhor, as Igrejas. Dom Hélder já é santo, para a igreja presbiteriana episcopal (anglicana).

Quem apoiou o nazismo não pode ser santo. Mesmo arrependido até o âmago.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Senado inventa solução “meia-sola” e Globonews pede a cabeça de Dilma



http://jornalggn.com.br/blog/sergio-da-motta-e-albuquerque/senado-inventa-solucao-%E2%80%9Cmeia-sola%E2%80%9D-e-globonews-pede-a-cabeca-de-dilma


"Ao separar de forma radical a vida pública de nossa presidente da sua conduta privada, o senado brasileiro estabeleceu um precedente maroto que, em tese, deverá ser aplicado a todos os políticos acusados de corrupção, ou como no caso de Dilma, de má administração: a condenação civil sem imputação de culpa criminal ou impedimento de exercer a vida pública.
A Dilma cidadã, a 'vovó' Dilma, foi perdoada. Nada ficou provado contra ela. Já a Dilma pública, a presidente que foi responsabilizada pela nossa suposta “maior crise de todos os tempos” foi condenada. Primeiro foi impedida e depois afastada por conveniência do poder estabelecido em regime democrático. Se não houve golpe, agora o Brasil é parlamentarista e a sua “primeira-ministra” não soube, (ou não pôde) compor governo."




terça-feira, 23 de agosto de 2016

Eu e o Geneton




Fui visitar uma amiga e soube da morte do Geneton. Ele foi um dos meus professores anônimos e me ensinou que “jornalismo é contar a uma pessoa algo que ela não sabe” - Geneton era um contador de histórias. O choque de sua partida foi grande e minha companheira notou minha emoção. Nós dois (eu e o Geneton) somos da mesma geração. Gostávamos das mesmas músicas e também tínhamos em comum o sangue pernambucano.




Fonte: Mídia promocional do programa Observatório da Imprensa, TV Brasil. Wikimedia Commons
















Por favor esqueçam o parágrafo acima. É tudo mentira Ou quase tudo. Não quero mentir agora. Quero ser Geneton também. Fui a casa de minha mãe e lá eu soube da saída de cena do grande jornalista. O resto é real. Perdão , grande jornalista e caros leitores, por tentar iniciar uma homenagem sem fatos concretos. Mas, como ele foi um de nossos primeiros seguidores do “New Journalism” de Wolfe, Talese e Thompson, peço a devida vênia para tentar abordar um assunto desta forma mais humana e subjetiva.

Fui para casa e não mudei de roupa. Sentei ao computador e comecei a imediata leitura de suas entrevistas e narrativas. A TV ficou ligada em canal de esportes, por conta de uma Olimpíada que cativou o mundo e deixou um legado de saudades e alegrias efémeras. Li José Saramago, Gay Talese e Nelson Rodrigues. Parei as 3 da manhã. O resto deixei para depois. Seguirei lendo o Geneton. Não faço promessas, mas sempre recorri ao seu acervo pessoal e público de entrevistas - Geneton sabia ouvir e reptar. Em seu blog ele se declarou “agente-provocador”, e não jornalista. Depois parei e quedei meio hipnotizado pelo brilho vazio das telas em minha sala. Por algumas hora eu fiquei ali. Parado. Imóvel. Triste.

Não me interessam os detalhes de sua súbita partida. Geneton se foi. Cruzou o rio com seu gravador e suas fitas. Seu mundo ele legou a nós, um universo de narrativas históricas reunidas em entrevistas e “dossiês” da maior importância para a sociedade brasileira. Não sei para onde foi o grande jornalista, mas onde quer que seja ele seguirá perguntando. Sempre a acreditar que há uma boa história por trás de fatos ordinários. Ele sabe que a tendência dos homens é ocultar as grandes histórias da mesquinhez dos seus iguais. E que a vida é muito mais espantosa que a mais espetacular das fantasias da literatura e do cinema

Lembro de um artigo dele publicado no Observatório da Imprensa em uma edição em que eu também publiquei algo. Foi uma honra ler seu nome perto do meu. Geneton era generoso e sempre ajudou quem estudava jornalismo. Um dia foi obrigado a acusar um aprendiz mal-agradecido que o acusou de plágio. “Um jornalista só tem sua palavra”, disse ele em sua matéria, em meio a quase culpa que sentiu quando viu o desamparo de seu acusador no Tribunal - Geneton era um homem bom. Sinto muito nunca ter tido a chance de conhecê-lo. Não vou perguntar por quê, para que, ou a que serve a sua partida. “Ponto. Parágrafo”.

Obrigado, Geneton.

Moraes Neto era muito culto. Com aquele jeito simples ele enganava muita gente. Após uma ou duas horas de leitura fica muito claro que ele era um profissional completo e um intelectual do povo. Mesmo sem ser fotógrafo (somos de uma geração que partia do pressuposto que todo repórter também tinha que ser fotógrafo), ele dominava quase todas as modalidades de jornalismo: reportagens de rua, transmissões de rádio e TV, entrevistas, direção de TV e cinema. Geneton cursou cinema na Sorbonne. Nos últimos tempos acabou professor informal de seu colegas. Ele sentia nojo do mau jornalismo

É bom ler seu blog. Com aqueles erros que caracterizam esses diários eletrônicos, a leitura é mais viva e humana. Geneton deixou um legado precioso e sua morte me deixou perdido. Ninguém foi melhor que ele no Grupo. Ao diabo com o Grupo. Vá em paz, Geneton. Eu não sou digno de escrever sua elegia. Só tenho mais uma coisa a dizer : Geneton se foi sem ter tido a devida importância reconhecida. O Grupo nunca vai lhe fazer justiça, e eu peço a Deus que me faça errado. Porque é muito triste estar certo e ver uma injustiça acontecer em estado de impotência. Prefiro estar errado por completo, e ver a vitória do justo e certo sendeiro. Luminoso como o teu, Geneton.


                                          Rio de Janeiro, 23 de agosto de 2016

quinta-feira, 18 de agosto de 2016




              A ilusão da vingança na final contra a Alemanha 

                                                                                                               Sergio da Motta e Albuquerque


Foto: Agência Brasil
Depois da vitória fácil contra a frágil seleção de Honduras (17/8), há um fantasma a exorcizar na partida final da deleção canarinho no próximo sábado: a seleção olímpica tem o dever vingar a derrota cruel para a Alemanha em 2014. É uma tentação irresistível. E perigosa. Esta esperança falsa pode botar tudo a perder.

 Os brasileiros que defenderão nossas cores no sábado na partida final devem ter sobretudo um compromisso maior com sua meta: conquistar uma medalha que sempre nos escapou. Tudo o mais deve ser esquecido.

O desastre de 2014 não pode ser reparado ou desfeito. Mesmo que um dia imponhamos derrota maior aso germânicos, aquela final em 2014 desconstruiu tudo o que havíamos acumulado em termos de técnica, estilo e tradição no futebol.

Que o momento decisivo não pese sobre os nossos rapazes, que os "Maracanaços" passados sejam apenas o passado amargo e o lado escuro de nosso futebol.

Que lutem como guerreiros sem assombros ou temores diante de seu povo e a festa estará garantida. Todos estaremos lá.

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Documentário "A Revolução digital" - The Digital Revolution"

Assista o documentário apresentado pela Drª Aleks Krototsky, que mostra a evolução da web. Ela traz os maiores nomes da rede, como Tim Berners-Lee, e os presidentes das maiores companhias da internet, para entendermos como ela vem mudando nossas vidas. E como vem sendo transformada de uma grande empreitada coletiva internacional, num "jardim murado", que é propriedade das grandes companhias da web. Teria ela fugido de sua finalidade original? Onde nos leva a experiência com a internet?
Assista ele todo aqui:
http://topdocumentaryfilms.com/virtual-revolution/

Este abaixo é o episódio 1. os outros estão na mesma página (são 4 no total).

http://www.youtube.com/watch?v=NPD4Ep_J81k&list=PL114B076F2F7AA761&feature=player_embedded

"The Virtual Revolution" - Full Documentary here or on Youtube ( in 4 episodes). (see disclaimer below)

"Twenty years on from the invention of the World Wide Web, Dr Aleks Krotoski looks at how it is reshaping almost every aspect of our lives.Joined by some of the web’s biggest names – including the founders of Facebook, Twitter, Amazon, Apple and Microsoft, and the web’s inventor – she explores how far the web has lived up to its early promise". Watch the documentary here:

http://topdocumentaryfilms.com/virtual-revolution/ (full documentary)

This bellow is episode 1. The others (4) are in the same page.
http://www.youtube.com/watch?v=NPD4Ep_J81k&list=PL114B076F2F7AA761&feature=player_embedded

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